A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) identificou um crescimento acima do habitual nas vendas de alimentos durante as duas primeiras semanas completas de outubro. A entidade avalia que parte do dinheiro anteriormente utilizado em apostas esportivas, conhecidas como bets, pode ter sido redirecionada para as compras nos supermercados.
Entre os dias 5 e 11 de outubro, o varejo alimentar registrou alta de 6,5% em comparação com o mesmo período do ano passado. Na semana seguinte, de 12 a 18 de outubro, o crescimento foi de 6,3%.
Segundo a Abras, o aumento ocorreu em todas as regiões do Brasil e em diferentes estabelecimentos, incluindo supermercados, hipermercados, mercados de bairro e atacarejos.
“Esse aumento foi generalizado, não esteve localizado em uma região ou outra, nem em segmentos de supermercados que muitas vezes faziam grandes ofertas. Ele foi de forma geral e atípica”, afirmou o vice-presidente da entidade, Márcio Milan.
A associação analisou possíveis explicações para o desempenho, como mudanças na renda das famílias e nos preços dos produtos, mas não encontrou fatores suficientes para justificar a alta.
Outro ponto considerado foi que o crescimento ocorreu antes do início do pagamento reajustado do Bolsa Família, em 19 de outubro.
“Quando fomos analisando, nós identificamos o que teve de anormal. A única coisa que teve de diferente nesse período foi a proibição das bets”, declarou Milan.
Apesar da associação temporal, os dados apresentados não comprovam que a redução das apostas tenha sido a causa direta do aumento nas vendas.
Diante dos resultados, a Abras defende a manutenção da proibição das bets, assunto que voltará a ser discutido no Supremo Tribunal Federal (STF) em audiência prevista para 3 de novembro.
“O supermercado vende qualidade de vida, vende saúde, e o que temos observado é que as bets vendem uma doença social”, afirmou o vice-presidente.







