O Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP inaugurou a exposição “Di Cavalcanti: Militante, Boêmio e Brasileiro”, uma imersão nas diversas fases do artista que marcou a Semana de Arte Moderna de 1922 e gerou polêmica com suas representações de mulheres negras. A mostra, aberta ao público desde o dia 8, permanecerá em cartaz até outubro de 2026, com entrada gratuita.
Com curadoria de Helouise Costa e Marcelo Bortoloti, a exposição é fruto de uma pesquisa aprofundada e apresenta 115 desenhos de um acervo de 561 obras doadas pelo próprio Di Cavalcanti ao antigo Museu de Arte Moderna (MAM) na década de 1950. A coleção completa poderá ser visualizada através de uma projeção audiovisual.
A mostra oferece uma linha do tempo detalhada, explorando as seis décadas de produção do artista, divididas em seis módulos temáticos. “São chaves que consideramos importantes e que marcaram as diferentes décadas do trabalho de Di Cavalcanti. Foi a partir delas que selecionamos as obras”, explica a curadora Helouise Costa.
Ao entrar na exposição, o visitante é convidado a acompanhar a trajetória do artista, desde seu nascimento no Rio de Janeiro. As salas, organizadas à esquerda, apresentam as obras de Di Cavalcanti, acompanhadas de trabalhos de outros artistas que se relacionaram com ele.
A curadoria destaca três aspectos centrais na obra de Di Cavalcanti: sua brasilidade, seu espírito boêmio e seu engajamento político. A mostra busca revisitar a obra gráfica do artista à luz de sua biografia e das questões contemporâneas que envolvem o Modernismo.
Um dos módulos explora o período em que Di Cavalcanti viveu em Paris, a partir de 1923, como correspondente de um . Sua imersão na cultura boêmia da cidade, frequentando cafés e prostíbulos, influenciou sua produção artística.
Outro ponto central da exposição é a atuação de Di Cavalcanti como militante político, um aspecto menos conhecido do artista. Ligado ao Partido Comunista nas décadas de 1920 e 1930, ele retratou em seus desenhos temas relacionados ao operariado e denunciou as injustiças sociais.
A mostra também aborda a relação de Di Cavalcanti com Noêmia Mourão, sua companheira. As trocas artísticas entre os dois são evidentes nas obras expostas.
Em outro momento, a exposição explora o breve período de religiosidade de Di Cavalcanti, após seu retorno ao Brasil em 1940, fugindo da guerra na Europa.
Um dos módulos mais sensíveis da exposição é o que apresenta desenhos com temas afro-brasileiros, que, embora talvez produzidos com boa intenção, hoje são vistos como problemáticos. A curadoria busca problematizar o modo como Di Cavalcanti representava as mulheres negras, reconhecendo que algumas dessas representações podem ser consideradas estereotipadas.
O último módulo da exposição aborda a fase final da produção de Di Cavalcanti, marcada por uma postura conservadora em relação às inovações artísticas, especialmente o abstracionismo.
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